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Anúncios no ChatGPT: o que já dá para saber sobre esse formato

ShapefAI··~9 min

Por que este tema importa para quem trabalha com visibilidade orgânica

Anúncio e resposta orgânica competem pelo mesmo espaço e são resolvidos pelo mesmo sinal: relevância semântica em relação ao que a pessoa está perguntando.

Isso torna a economia da mídia paga em LLMs um assunto de GEO, não apenas de performance. Quem entende como o leilão avalia relevância entende melhor como o modelo avalia conteúdo. No caso do Google, os dois sistemas estão explicitamente conectados, como veremos adiante.

Este artigo reúne o que está documentado em fonte oficial e o que os primeiros dados de campo mostram. Onde a informação é observação de terceiro e não confirmação da plataforma, isso está sinalizado.


O que já é oficial

16 de janeiro de 2026. A OpenAI publica sua posição sobre publicidade, assinada por Fidji Simo. O anúncio estabelece que os testes começariam nos Estados Unidos, para usuários adultos logados nos planos Free e Go. Os planos Plus, Pro, Business e Enterprise não têm anúncios.

O post também define o formato inicial: anúncios ao final das respostas, quando houver produto ou serviço patrocinado relevante para a conversa em curso, sempre rotulados e separados da resposta orgânica. E define duas exclusões relevantes: nada é exibido em contas identificadas ou previstas como de menores de 18 anos, e anúncios não são elegíveis perto de temas sensíveis ou regulados como saúde, saúde mental e política.

Fevereiro de 2026. O piloto entra no ar, inicialmente com um grupo pequeno de anunciantes.

5 de maio de 2026. A OpenAI anuncia a próxima fase. Três mudanças relevantes:

  • Ads Manager em beta de autoatendimento. Empresas podem se cadastrar, definir orçamento, lances e ritmo de entrega, subir criativos e acompanhar performance em portal próprio.
  • Lance por clique (CPC). A primeira fase do piloto operava apenas em CPM. A empresa justifica a mudança pelo fato de conversas no ChatGPT serem frequentemente orientadas a decisão: o clique passa a ser tratado como sinal de relevância.
  • Medição. Conversions API e medição por pixel, com insights agregados, sem acesso do anunciante a conversas individuais.

O anúncio também nomeia parceiros pela primeira vez: agências Dentsu, Omnicom, Publicis e WPP; tecnologia Adobe, Criteo, Kargo, Pacvue e StackAdapt.

Há uma frase nesse comunicado que passa despercebida e é a mais importante de todas para quem trabalha com visibilidade: os parceiros apoiam orçamento, lance e criativo, mas o sistema da OpenAI controla todas as decisões de entrega.

Ou seja: não existe compra de posição. Existe elegibilidade avaliada por um sistema que decide sozinho onde e quando exibir. É estruturalmente mais parecido com o funcionamento de um mecanismo de recuperação do que com um mural de inventário.


Os princípios declarados, e o que eles implicam

A OpenAI publicou cinco princípios que regem sua abordagem de publicidade. Dois deles têm consequência direta sobre GEO:

Independência da resposta. A empresa afirma que anúncios não influenciam as respostas do ChatGPT, que as respostas são otimizadas pelo que é mais útil, e que anúncios são sempre separados e rotulados.

Valor de longo prazo. A empresa afirma que não otimiza para tempo de permanência no ChatGPT.

O primeiro princípio é o que importa aqui. Se a declaração se sustentar na prática, ela significa que não existe atalho pago para a citação orgânica. Comprar mídia no ChatGPT não faz sua marca ser mencionada na resposta, faz um card patrocinado aparecer ao lado dela.

São dois inventários independentes, com dois mecanismos de qualificação diferentes. Marcas que tratarem mídia paga em LLM como substituto de trabalho de visibilidade orgânica vão descobrir que compraram o espaço errado.


O que os dados de campo mostram

Os números a seguir vêm da pesquisa apresentada pelo time da Profound na conferência Zero Click NY, em 2026. São observações de mercado a partir de dados coletados na interface, não confirmações da OpenAI.

Densidade do formato:

  • Cerca de 30% dos usuários elegíveis veem anúncios
  • 47% dos posicionamentos ocorrem no primeiro turno da conversa
  • 83% das conversas carregam apenas um posicionamento

O formato hoje é escasso. Uma conversa, um anúncio, majoritariamente logo no início. Isso ajuda a explicar a segunda observação: os CPMs e CPCs foram reportados como cerca de quatro vezes mais caros que Meta Ads. Inventário pequeno com demanda de grandes anunciantes produz esse resultado.

Distribuição por intenção da conversa:

| Tipo de intenção | Participação nos anúncios servidos |

|---|---|

| Generativa | 43% |

| Informacional | 36% |

| Comercial | 20% |

O dado contraintuitivo está na comparação: prompts comerciais representam cerca de 14% das consultas, mas 20% das consultas com anúncio. Uma sobre-indexação de aproximadamente 1,5x.

Ou seja, o sistema reconhece intenção comercial e prioriza, mas a maior parte do inventário é servida em conversas que não são de compra. Anúncio em LLM não é um canal de fundo de funil. É um canal de descoberta que ocasionalmente pega intenção comercial.


A inversão nas entrelinhas

A Profound analisou a similaridade semântica entre cada componente do anúncio e o prompt do usuário. O resultado:

| Componente do anúncio | Similaridade com o prompt |

|---|---|

| Criativo (título + descrição) | 0,407 |

| Título | 0,395 |

| Descrição | 0,374 |

| Melhor seção da landing page | 0,363 |

| Landing page completa | 0,313 |

| Nome da marca | 0,230 |

O nome da marca é o pior preditor de relevância da lista.

Isso inverte a lógica que sustentou duas décadas de mídia de busca. No modelo de palavra-chave, força de marca e histórico de conta compram vantagem no leilão. Aqui, o sistema avalia proximidade semântica entre o que foi escrito no anúncio e o que a pessoa perguntou. Uma marca desconhecida com criativo bem escrito supera uma marca forte com criativo genérico.

Para quem trabalha com marcas pequenas e médias, essa é a informação mais acionável do conjunto, e ela tem paralelo direto no lado orgânico, onde a elegibilidade também é determinada por correspondência semântica de trecho, não por autoridade de domínio.

Um segundo dado no mesmo eixo: cerca de 17% dos anúncios aparecem em prompts que mencionam uma marca concorrente direta, contra 8% de auto-menção orgânica. E, na amostra analisada, a Salesforce defende aproximadamente 45% dos próprios prompts de marca, a Shopify 14%, e o restante do mercado praticamente zero.

Existe uma janela de defesa de marca em ambiente conversacional que quase ninguém está ocupando.


O Google resolveu isso de outra forma

A documentação oficial do Google Ads estabelece um modelo diferente e mais integrado.

Anúncios são elegíveis para aparecer acima, abaixo ou dentro das AI Overviews. Campanhas existentes de Search, Shopping, Performance Max e App já qualificam automaticamente, não há configuração separada. E os anúncios são servidos seguindo o sistema de leilão e os sinais já existentes.

Há um detalhe nessa documentação que merece atenção: o Google afirma que tanto a consulta do usuário quanto o conteúdo da própria AI Overview são considerados na hora de servir esses anúncios.

Isso é estruturalmente relevante. Significa que a resposta orgânica gerada pela IA é um sinal de segmentação para o inventário pago. O que a IA escreveu sobre a sua categoria influencia quais anúncios são elegíveis ali. Orgânico e pago deixam de ser canais paralelos e passam a ser encadeados.

Nota de disponibilidade importante para o Brasil: segundo a documentação, anúncios acima ou abaixo da AI Overview estão disponíveis em mais de 200 mercados onde a AI Overview existe. Já os anúncios dentro da AI Overview estão limitados a uma lista específica de países em língua inglesa, e o Brasil não está nela.

Ou seja, o formato mais integrado ainda não chegou aqui. Isso é uma janela, não uma ausência permanente.


E a Perplexity foi na direção oposta

A trajetória da Perplexity é o contraponto mais instrutivo do setor.

A empresa foi a primeira grande plataforma de busca com IA a testar publicidade, em novembro de 2024, com perguntas de acompanhamento patrocinadas. Em outubro de 2025, parou de aceitar novos anunciantes. Em fevereiro de 2026, abandonou publicidade por completo, redirecionando o modelo para assinatura.

O argumento apresentado pelos executivos, em declarações à imprensa especializada, foi de incompatibilidade estrutural: se o usuário passa a duvidar da neutralidade da resposta, o produto inteiro perde valor.

A Anthropic, com o Claude, não possui programa de anúncios.

O que temos, portanto, são três apostas distintas sobre a mesma pergunta:

  • OpenAI: anúncio e resposta podem coexistir se forem estruturalmente separados
  • Google: anúncio e resposta podem se integrar, usando o conteúdo da resposta como sinal
  • Perplexity e Anthropic: não coexistem; monetização vem de assinatura e API

Nenhuma das três está validada ainda. Mas a divergência já produz uma consequência prática: a estratégia de visibilidade não pode ser a mesma em todas as plataformas, porque nem todas têm inventário paralelo disputando o mesmo espaço.


O que isso significa antes de chegar ao Brasil

Nada disso está disponível comercialmente em português. O Ads Manager da OpenAI é beta para anunciantes dos Estados Unidos. Os anúncios dentro da AI Overview não incluem o mercado brasileiro.

Isso significa que existe uma janela, de duração desconhecida, em que dá para se preparar sem o custo de operar.

Três leituras que valem independentemente da data de chegada:

A separação entre pago e orgânico é real e não será resolvida com orçamento. Marcas invisíveis organicamente vão continuar invisíveis na resposta, mesmo comprando o card ao lado dela. O trabalho de elegibilidade orgânica não tem substituto pago.

A qualidade de escrita voltou a ser variável de leilão. Se criativo supera nome de marca como preditor de relevância, a diferença entre um anúncio caro e um anúncio eficiente está no texto. Isso reabilita competência que a automação de mídia dos últimos anos vinha desincentivando.

Medir visibilidade por plataforma deixou de ser refinamento. Quando uma plataforma serve anúncio, outra integra anúncio à resposta e uma terceira não tem anúncio nenhum, uma métrica agregada de "visibilidade em IA" esconde exatamente a informação que muda decisão de investimento.


> Sua marca aparece nas respostas, ou só ao lado delas?

> A ShapefAI monitora visibilidade de marcas em ChatGPT, Gemini, Perplexity, Claude e Google AI Overview, medindo cobertura por plataforma em vez de uma média agregada. O diagnóstico mostra em quais contextos sua marca é citada, em quais o concorrente aparece no seu lugar, e quais ações mudam esse quadro. Solicite seu diagnóstico →


FAQ

Comprar anúncios no ChatGPT faz minha marca ser citada nas respostas?

Não. A OpenAI declara publicamente, entre seus princípios de publicidade, que anúncios não influenciam as respostas e que são sempre separados e rotulados. São dois inventários independentes: um determinado por relevância de recuperação, outro por leilão. Investir em um não produz resultado no outro.

Já é possível anunciar no ChatGPT a partir do Brasil?

O Ads Manager de autoatendimento foi lançado em maio de 2026 em beta para anunciantes dos Estados Unidos, com expansão gradual anunciada mas sem cronograma público para outros mercados.

E anúncios nas AI Overviews do Google, funcionam no Brasil?

Parcialmente. Segundo a documentação do Google Ads, anúncios acima e abaixo da AI Overview estão disponíveis em todos os mercados onde a AI Overview existe. Já os anúncios servidos dentro da AI Overview estão restritos a uma lista de países de língua inglesa que não inclui o Brasil. Campanhas existentes de Search, Shopping e Performance Max qualificam automaticamente, sem configuração adicional.

Por que o nome da marca pesa tão pouco na relevância do anúncio?

Porque o sistema avalia proximidade semântica entre o texto do anúncio e o prompt do usuário, não reconhecimento de marca. Um nome próprio carrega pouca informação sobre o problema que a pessoa está tentando resolver. O título e a descrição carregam muito mais, e é por isso que aparecem no topo da lista de preditores.

Anúncios em IA vão substituir o trabalho de visibilidade orgânica?

A evidência aponta na direção contrária. Como o inventário atual é escasso (a maioria das conversas carrega um único anúncio) e a resposta orgânica ocupa a maior parte da tela e da atenção, a mídia paga complementa a visibilidade orgânica em vez de substituí-la. No caso do Google, a relação é ainda mais direta: a documentação indica que o conteúdo da própria AI Overview é considerado ao servir os anúncios.


Fontes oficiais: OpenAI, "Our approach to advertising and expanding access to ChatGPT" (16/01/2026) e "New ways to buy ChatGPT ads" (05/05/2026); Central de Ajuda do Google Ads, "About ads and AI Overviews". Dados de campo: apresentação do time de pesquisa da Profound na Zero Click NY 2026.


A ShapefAI é a primeira plataforma brasileira de GEO. Acompanhamos a evolução dos formatos de monetização em IA porque eles definem o espaço que sobra para a visibilidade orgânica, e é nesse espaço que as marcas são decididas. [Conheça a plataforma →](https://shapefai.com)

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